sexta-feira, 13 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Regresso à cotidianeidade


Foto: Claudio Fuentes Madan

Os dias passam e tudo vai voltando a ser como antes. Yoani ainda de muletas e Orlando que se nega de ir ao médico, mesmo assim as ruas vão se parecendo de novo as ruas da minha cidade. Havana dos medos dissimulados, da pobreza que ninguem quer ver, da polícia reprimindo e corrompendo, da segurança trapaceira, da gente sem Fé e da arte decadente.

De novo os minutos de liberdade são contados no turno de hora e meia no Chaplin durante o ciclo de cinema polones. Outra vez vem meu amigo me pedir a versão atualizada de Voces Cubanas. A gente fala da situação econômica muito baixo, olhando de soslaio, a política fracassada do govêrno.

Vou no ônibus e vejo os meninos do MININT, creio que não chegam aos 18, com a mesma cara de abulia que têm todos os demais. Não posso deixar de me perguntar até onde chega a irracionalidade dos pais. Sorrío cada vez que os protagonistas da indisciplina social em pequena escala (no P4 somos a maioria por larga margem) dão o dinheiro ao chofer e não o jogam na caixinha, jogando-lhe na cara todos estes spots televisivos que dizem que ao pobre chofer não há que se dar nada: tudo para Papá Estado, Senhor Absoluto.

Vou caindo de novo em mim e olho as pessoas ao meu redor. Cansados e suados regressam às suas casas, uns rapazes diante de mim explicam como conectar dois computadores em rede, guardo porque se um dia me faz falta: cortar o cabo, unir o primeiro com o sexto e o segundo com o quarto. Imagino-os salvando uns civis de sequestradores sem documentos que dizem ser o poder supremo. Algo me diz que não falta muito para que cheguemos neste ponto, para que a solidariedade cidadã floresça nesta ilhota.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Prefiro vítima do que carrasco



Foto: Fotos Cuba Hoy

Não queria escrever, minha paranóia me dizia que deveria esperar estar outra vez no meu juízo perfeito. Nestas últimas 48 horas tenho estado irascível, ferina, histérica, compreensiva, maternal e com instintos assassinos...quis matar e quis salvar. Senti-me agradecida à polícia por proteger-me da segurança do estado e quis arrasar esse corpo que responde ante ordens de desconhecidos. Desejei estar no corpo de Yoani e sofrer a dor, senti-me merecedora de cascudos ou digna de liderar o Juízo Final. Imaginei-me capaz de perfurar a cabeça dos que na sexta-feira golpearam Yoani e Orlando e a mim não, e tenho me perguntado por que. Perdoei e voltei a julgar.

Senti a culpa e culpei, tenho me perguntado tantas coisas que não tenho tempo de me responder. Tratei de reconstruir os fatos dois milhões de vezes porém creio que as lacunas são cada vez piores. Não recordo se twittiei da patrulha, não sei se o primeiro twitt foi quando me agarrava com fervor na cintura de Yoani ou quando via suas pernas pendendo do carro preto da segurança. Não lembro se chamei, se não chamei, à quem chamei. Nem sequer me lembro da cara do segurança que ia ao meu lado. O que sei é que aguentava a vontade de vomitar todo o tempo, arrependo-me de não haver lançado todo o café que tinha no estômago em cima do meu repressor...nesse momento tratava de parecer forte.

Uma escritora amiga me disse: Para que esperas, cada vez que escreves te desvelas, não há nada que possas ocultar. Tem razão, dá no mesmo que o saibam: a brutalidade me confunde, o abuso me dá vontade de chorar, a injustiça me abala e tenho tido que lutar nestas últimas horas com um Ódio profundo que me quer assumir.

Só uma imagem me libera, imagino o diálogo do quebra-ossos com seu filho:

-Papai, o que te ensinaram na academia?
-Ensinaram-me a bater forte sem que fiquem marcas.

Então acaba-se a fúria e o repúdio, porque uma profissão tão ruim e desprezível não desperta nenhum sentimento em mim.

sábado, 7 de novembro de 2009

Violência contra a não violência



Sexta-feira, academia blogueira, terminamos a aula de cultura cubana com Miriam. Ambiente descontraído: os Taínos e os mitos. Antes de ir-se Iván me disse - Nos vemos as cinco e meia. Soubemos por amigos, sabíamos que Aldo, Luis Eligio, Amaury e outros jovens iam caminhar hoje pela 23 e G até L com cartazes contra a violência. Uma marcha cívica num país onde o civismo foi isolado pelo totalitarismo, onde o poder envelheceu e os últimos estertores de um sistema que se esboroa são uma resposta cega, chilique puro.
Ficamos, Orlando Luis, sua noiva, Yoani e eu congregados e fazendo hora para a marcha. Saimos da casa nervosos porém convencidos de que não estariamos sós. Pela rua G Orlando ia dizendo piadas das quais não me lembro porém que me faziam rir as gargalhadas. Um homem se masturbava em pleno dia em Zapata, Havana era como sempre. A parada do P11 estava repleta, 27 e G, a unica esquina onde se pode pegar algo que te leve para Alamar.
O carro apareceu do nada, chapa amarela, modelo chines novo: dinheiro para reprimir. Vamos tranquilos, me disse Yoani de brincadeira e os tipos se abaixaram com cara de não estar tranquilos, deve ser triste ser um valentão. Negamo-nos a entrar no carro, eram tres e nos ameaçavam:

-Entrem no carro agora.
-Deixem-nos ver seus documentos ou tragam um uniformizado.

Orlando tinha seu celular na mão. "Pardo não graves" - disse o de camisa alaranjada -peguei o meu. Ninguém me deu importância, enviei o primeiiro twitt...
Em menos de tres minutos chegou uma patrulha, um casal de policiais - mulher e homem - olhavam estupefatos a cena. Cumpriam ordens ligeiramente em câmera lenta, a mulher me disse:

-Não resistas.
-Eles estão sem documentos - ocorreu-me esclarece-la.

Yoani se agarrava numa moita, eu na cintura de Yoani e a mulher me puxava por uma perna. Haviam arrastado Orlando, ficou fora do meu campo de visão. Um homem na parada olhava com cara aterrorizada, as pessoas não diziam nem meia palavra. A oficial, muito jovem, me deu uma chave que me deixou imobilizada, podia ter esperneado um pouco porém fiquei atônita ao ver as pernas de Yoani saindo pela janela de trás do carro da segurança do estado.
Enfiou-me na patrulha enquanto eu gritava:Yoani!, Yoani! Porém me dei conta de que ninguém poderia ouvir-me, tudo estava herméticamente fechado, a mulher de Orlando forcejava com o policial, o corpo de Yoani era enfiado a empurrões de cabeça no carro e o telefone de Orlando saiu voando pela janela...enviei o segundo Twitt, com a esperança de que alguém entendesse mal ou bem o que eu conseguia teclar.
A garota policial subiu na patrulha e me disse:

-Porque resististe? Não queremos golpeá-los.
-Quase me rasgas a camisa - disse o outro da PNR (Polícia Nacional Revolucionária) - enquanto enfiava a noiva de Orlando no carro.

Viam-se envergonhados, por um momento acreditei que nos pediriam desculpas:

-Vocês tem suas identidades em cima? - disse ela quase docemente - e nos entregou o telefone de Orlando que soava sem parar.

Desgraçadamente chegou o de camisa alaranjada, entrou e fechou a porta...ficou ao meu lado. Os policiais se calaram o começou o diálogo.

-Claudia, desliga o telefone.
-Esquece.
-Que nojo - disse a noiva de Orlando.

O resto puro insulto, bronca surrealista.

-Teu nome não passará à história - enfatizou.
-Não me importa, porém tu nem sequer tens nome.

Quando desci do carro virou para G.

-Então será pior.
-Tuas ameaças são o teu medo. Estão no fim.
-Palhaça.

Colocar o pé na esquina da casa de Yoani me deu vertigem, não havia luz no edifício, não podia ligar para o celular de ninguém e estava ficando sem saldo. Nisso recebi a primeira chamada com um 00 em frente e soube que nada havia sido em vão, inclusive se todos haviamos sido presos e a marcha suspensa. Quando mais tarde assisti o video que Ciro me trouxe soube com certeza: estão perdidos, a contagem é regressiva.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O personagem Tabo, 2009


Estão retransmitindo "Sua própria guerra" na televisão e parece que estou assistindo uma série extraterrestre, de um país onde as pessoas falam e se movem como no meu porém que não o é. Uma espécie de novela de Ray Bradbury, onde os alienígenas são idênticos a nós salvo por pequenos detalhes, porque somos nós em outro tempo e outro espaço. Talvez poderia compará-la também a um Discovery Chanel onde nos explicariam que o homem povou a terra por duas vezes, o documentário se aprofundaria na civilização daquele homo sapiens que uma vez, antes de um desastre natural X, ocupou o mundo em que nós vivemos agora, milhões de anos depois.

O pobre Tabo de hoje não estaria orgulhoso de ser infomante da polícia, chantageado pela PNR (Polícia Nacional Revolucionária) buscaria desesperadamente a maneira de subir numa balsa para sair batido do país antes que o descubrissem no bairro. Sua esposa, que quando não era malfeitor, passava fome e não podia alimentar sua filha, jamais lhe havia perguntado de onde saía o dinheiro que trazia para casa e seu humor, longe de piorar pelas novas relações de seu companheiro, havia se adoçado. Ele nunca pode dizer-lhe que era da PNR, pois o divórcio haveria sido ipso facto.

Com boa sorte e aproveitando sua posiçao privilegiada em ambos os bandos, nosso herói de 2009 talvez encontrasse o modo de tocar um "negocinho" que lhe permitisse atingir as metas* para que o deixassem avançar e o protegessem. Com o tempo acolheria em sua rede de corrupção "não registrada" a mesma quantidade de policiais quanto de delinquentes.

* Meta: Polícia

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Pomba da liberdade


Foto: Claudio Fuentes Madan

Na escola primária zombavam de mim porque eu não falava palavrões, no sexto ano fui premiada como Beijo da Pátria e quando entramos na secundária senti como um soco no peito. Meu desconforto não era porque eu tinha sido verme desde pequena, mas sim porque me parecia que a Beijo da Pátria deveria ser eu, que bastantes comunicados havia escrito e lido, também, além disso, ela era linda, tinha um restaurante ( paladar) e eu era gorda e com o pai em desgraça.

Porém na secundária fomos juntas para um campo de batatas doces, uma ao lado da outra desmatando canteiros infinitos, matando vermes e estreiando juntas o título de Brigada Não Cumpridora: ficamos amigas. Em tres anos mudamos de meninas para adolescentes juntas e não houve um instante entre meus 12 e meus 14 em que não houvesse estado - em boas ou más - ao meu lado. No nono grau - apesar de nossas boas notas - já éramos famosas negativamente: ouvir rock, ler novelas "complicadas" e sermos as mais excêntricas possíveis nos custou caro, à mim em casa e à ela na escola.

Aos 14 anos passou por um Conselho Disciplinar em aula, alguns alunos se levantaram e a denunciaram: fuma, ouve rock and roll, fala coisas indevidas, reúne-se com elementos antisociais, etc. Apesar de ter tido 100 de média não pode ser a primeira da lista, relegaram-na ao terceiro lugar. Nesse mesmo ano sua família ganhou o bombo (loteria de emigração) e foram-se todos para os Estados Unidos, estivemos quase dez anos sem nos ver e ainda que já não aspiremos nem a ser o Beijo da Pátria nem a entender a origem do universo - entre outras ambições - continuamos sendo amigas.

Veio a pouco e pôs-se em contato com o grupo da secundária, aquele que um dia quis tirar-lhe seus direitos acadêmicos a força de ideologia extremista. Para a minha amiga já não importa, chamou em nome dos velhos tempos, da adolescência perdida e da nostalgia. Com certeza uma das garotas que mais lhe apontou o dedo não havia esquecido. Para a antiga denunciante tudo aquilo significava algo mais: tirar do peito a culpa de repressor, de delator e de injusto. Pediu desculpas à antiga vilipendiada e eu não sei se respira melhor a partir desse dia. Alegro-me pelas duas.

sábado, 31 de outubro de 2009

O Ministério e eu





É a terceira vez que uma instituição ou ministério me nega a entrada à um lugar de livre acesso. Parece que alguns blogueiros independentes temos sido excluídos "extraoficialmente" dos eventos culturais cubanos. Digo "extraoficialmente" porque ainda não me mostraram um documento oficial com meu nome completo e meu número da carteira de identidade que diga: Esta insittuição nega a admissão de Fulanito de Tal, Siclano e Esperanzejo, segundo a legislação tal da lei tal e direito tal que este centro tem. Não tem minha foto e os seguranças não conhecem meu nome, não há uma lista que decrete que eu sou persona non grata.

Eu exijo do Ministério da Cultura que emita a dita lista, que esclareçam as razões pelas quais não posso assistir a concertos e participar de debates, que mostrem a cara e deixem de ampararem-se no vago conceito: A Instituição se reserva o direto de admissão. Eu quero que Abel Prieto articule legalmente esta exclusão para assim eu poder, legalmente também, acionar o Ministério da Cultura por discriminação cultural e ideológica. Eu quero que os funcionários acabem por mostrar a cara sem nome e assumam que a política cultural cubana é excludente e discriminatória, coloquem as cartas na mesa e os pingos nos i, deixem de usar a burocracia como escudo e os seguranças como infantaria. Eu quero também que alguém me explique de que humana maneira uma instituição pública - do povo - se pode reservar o direito de admissão e quais são as condições que regem tal direito.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Agora mesmo na Sala Fresa y Chocolate (vídeo update)





Um grupo de pessoas, entre as quais me encontro, não pode participar do debate sobre a Internet que se realiza desde as quatro da tarde na sala Fresa y Chocolate, organizado pela revista Temas. No princípio éramos uns 10 - alguns blogueiros independentes e outros que não conheço - agora se acumulam contra a grade umas 30 pessoas.

O ICAIC (Instituto Cubano de Arte e Cinema) se reserva o direito de admissão segundo os seguranças. Aqui mostro umas fotos, verei se depois posso subir mais informação.

O debate existe, porém da porta da Fresa y Chocolate para fora...não obstante, terão surpresas.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Porque uma depuração?


Foto: Claudio Fuentes Madan

Quase todos os paises têm um governo mais ou menos corrupto, porém que a cada quinquênio, aproximadamente, muda, e além disso responde por suas ações ante um poder civil. Têm serviços secretos que se ocupam em proteger os interêsses do país frente a possíveis ingerências externas, frente a corrupção entre os seus ministros e quadros, entre outras coisas complicadas e burocráticas; em nenhuma hipótese têm em sua atribuição de trabalho medir o grau de liberdade dos seus cidadãos para reprimi-los, filtrá-los de acordo com o seu perfil político, ocuparem-se do que os civis falam ou verificar se reunem-se livremente. No lugar de ocuparem-se em "negar" as saídas do país, impedir a entrada de cidadãos para eventos culturais, fustigar artistas e escritores pela sua obra, excluir do seu local de trabalho pessoas devido a sua postura ideológica, entre outras "atividades" nas quais nossos ministérios se especializam, os de países menos paranóicos desempenham funções mais louváveis, de acordo com a lei do país e com o perfil que lhe corresponda.

É por isso que considero que para que a transição em Cuba seja em direção à uma sociedade aberta e não para uma sociedade "com algumas saídas de emergência", algumas das pessoas hoje poderiam tirar umas boas férias e dedicarem-se, por exemplo, a prestação de serviços - que para isso não será tão difícil então conseguir-se uma licença.

Torna-se óbvio que esta pequena ilha faz algum tempo não é governada somente por anciãos, senão que muitos dos quadros médios e altos do PCC e a CI (orgão de inteligência) mantêm o status quo e desfrutam do poder quase no mesmo nível que os clássicos, porém de maneira mais dissimulada. É evidente que a pessoa que hoje decide que Yoani Sánchez não pode viajar, não pode continuar ocupando cargos de tomada de decisões numa Cuba plural, onde todos tenhamos os mesmos direitos apesar de nossa ideologia. Um funcionário que do seu posto sustenta com seu arbítrio a corrupção e a delinquencia, não pode pois ter a responsabilidade de autuar o vício social. Depurar não significa discriminar nem depreciar, porém se na Assembléia Nacional do Poder Popular continuam as mesmas pessoas que hoje aplaudem e levantam a mão, não creio que a mudança em Cuba tenha muito êxito.

sábado, 24 de outubro de 2009

Minha Suzuki


Foto: Claudio Fuentes Madan

Tirado da Saga El Ciro versus La Seguridad del Estado

Fui visitar minha avó em Santa Fé. A velha tem 193 anos e pensa que é hora de beneficiar sua família com bens que já não usa. Assim foi que me deu a notícia de que deixava para mim a moto do seu sobrinho, que saiu ilegalmente do país fazem tres anos e não lhe permitiam regressar pois estava acusado de deserção das fileiras do MININT.

Qual não seria minha surpresa quando vi que se tratava nada mais nada menos do que uma Suzuki (veículo clássico da segurança do estado). Meu Deus! Agora que caralho faço com isso? Não podia desdenhar o presente da minha avó, podia lhe infartar, assim lhe agradeci.

-Obrigado avó, vou chamar um caminhão para que venha pegá-la.
-Não meu neto, a moto está tinindo, podes ir nela.

Aquelas palavras retumbaram na minha mente. Pilotando uma Suzuki de Santa Fé até o Vedado. E se alguém me vê pilotando por aí? Vá lá!

-Monta, monta - dizia minha avó - e depois me dizes como chegaste.
-Está bem avó.
-Porém porque choras netinho?
-De emoção, avó, de emoção.

Montei naquilo e saí chispando pela 5a Avenida. Todas os rostos me pareciam conhecidos, assim eu acelerava cada vez mais. Um policial acenando a mão...merda...paro e me disponho a puxar a carteira porém de um pulo - Pum! - ele monta atrás.

-Deixa-me alí na frente que estou atrasado - disse tranquilamente.

Do caralho isso, numa Suzuki e com um policial montado atrás. No sinal da rotatória o vermelho me pega. Ao meu lado para um táxi particular com passageiros e ouço uma voz:

-Olha, você não é do Porno Para Ricardo? - tres rapazinhos se amontoavam na janela olhando estupefatos.
-Não, não, não, não sou eu - respondi.
-Acho que é - disse o outro.
-Que nada, não sou eu porra!

Acendeu a verde e me fui como um bólido.

-Ha, você é do Porno Para Ricardo, sempre soube que tinha que haver alguém alí dos nossos.
-Sim, bem...você sabe... nós sempre nos infiltrando em tudo.
-Olha deixe-me por aqui que já estou perto e sucesso com o trabalho.

Desceu e foi-se. Isso não podia continuar. Desci da Suzuki e parei um caminhão que me levou para casa.

-Quanto devo? - perguntei ao caminhoneiro.
-Ha vai me pagar, oficial?
-Puta que o pariu! Pega! - e lhe pus uma cédula no bolso.

Entrei com a Suzuki e imediatamente chamei a CI (orgão de inteligência):

-Venham, venham, tenho algo urgente para falar com vocês.

Chegaram em 2 minutos e 25 segundos, parecia que estavam a 20 metros.

-Bem Ciro, nos alegra que por fim estejas disposto a cooperar, queremos saber c...
-Não é isso. O que preciso é passar isso pra frente - interrompi indicando a moto. - É que me aflige ser visto montado nessa coisa e como vocês não se importam talvez queiram trocar por algo mais modesto, não sei...uma Carpati...qualquer merda.

Entreolharam-se.

-Ouça-me, nós não estamos aqui como traficantes de moto. Escutou? - gritou um.
-Uma Carpati você disse? - perguntou o outro - Eu tenho uma Carpati.
-Porém Alejandro! ou melhor...Rodney!
-Veja esse câmbio, é gato por lebre - retrucou Alejandro, ou melhor, Rodney.- Olhe Ciro, deixa isso aqui, amanhã mesmo lhe trago a Carpati e levo a Suzuki.
-Negócio fechado. E agora, fora da minha casa!

Fecha-se a porta e soa o telefone: Ring!

-Alô.
-Olá, Ciro por favor.
-É ele que fala.
-Me disseram que te viram hoje na Quinta Avenida...