quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O acidente


Foto: Orlando Luis Pardo Lazo

Outro dia fui testemunha de um acidente em Luyanó. Orlando Luis e eu twitteamos o que pudemos e mal conseguimos tirar algumas fotos sem que uns tipos vestidos de civis nos tirassem nossas câmeras. Acidentes de trânsito ocorrem todo o tempo em qualquer lugar do mundo e me pergunto por que o governo cubano impede que estes sinistros cheguem à imprensa. É ridículo e penoso que membros da Segurança do estado se dediquem, em meio a uma catástrofe, a perseguirem camerazinhas e evitar repórteres.

Às vezes me parece que a censura e a burocracia são seres vivos, com suas próprias leis de sobrevivência, sua necessidade de se perpetuar e seus ciclos de vida. Coloca o Estado em risco dizer-nos quantos mortos e feridos houve no dia 20 de agosto, quais foram as causas do acidente e o que aconteceu com o chofer?

Já não se trata de imprensa livre, nem de liberdades políticas, nem sequer de direitos cidadãos. Trata-se de um monstro que em cinqüenta anos cresceu tanto que poderia engolir todos os acontecimentos da nação. Um monstro que se alimenta do nosso conhecimento, do nosso intelecto, da nossa capacidade de compreender a história. Um monstro que traga nossas desgraças e alegrias, nossos sonhos e nossas vidas.

2 comentários:

Jambalaia disse...

Creio que a censura as imagens deste acidente sejam mais aplicadas aos residentes em Cuba, do que o exterior.

Este tipo de ação, hoje não tem mais sentido existir. Apenas países de política retrógrada, ou saudosista fazem isso.

O curioso é que aqui no Brasil nem costumam afirmar que Fidel é um ditador, quando se assiste ao noticiário.

autofágica disse...

O pior que é verdade. Existem pessoas nas universidades brasileiras que aplaudem de pé Fidel Castro como exemplo de governo a ser seguido sem se dar conta de que não aguentaria um dia sem poderem ter seus carrinhos nem ir e vir quando quiser.