quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Os presságios


Desde que o ano começou a mesma conversa tem surgido em momentos diferentes e com diferentes pessoas: O que diz o futuro sobre nós? A pergunta me parece impossível de ser respondida, porém em menos de uma semana os que desdenham do meu receio tem feito chegar às minhas mãos algumas frases copiadas da Letra do Ano oficial ( a coisa vai ficar MUITO FEIA - ainda que não pareça, o horizonte do horror não foi alcançado ), da carta astral de Fidel Castro (parece que é certo), da carta astral de Raúl Castro (parece que não sobreviverá ao irmão), da carta astral de Hugo Chavez (parece que não passa de dezembro) e da carta astral de Cuba (aparentemente com um karma patético).

Trato de deixar de lado a obsessão de me imiscuir no amanhã e me concentro nos leitores mais do que nas leituras. pergunto-me porque todos - de cultura diferente, credo diferente e de fonte de adivinhação diferente - deslumbram-se ao analizar a Mudança Já. Porque esses "tempos de instabilidade" são interpretados como "desobediência na terra" ou "conjunção no céu"? Porque esse saturno transitando livremente e sem dificuldade pelo meio do céu não pode ser outra coisa que "a viagem sem retorno"?

Tenho ouvido as mesmas bobagens repetidas pelos mais neófitos, os mais ateus, os mais céticos e inclusive, pelos mais marxistas. Não posso negar que tratar de entender as estrelas provoca meus neurônios e que ler o que dizem as vozes do outro lado me põe de cabelos em pé. Contudo o que me faz sorrir - e devolve a minha racionalidade tranquila - é que tantas visões sobre uma mesma realidade expressam também o desejo, a fé e a esperança em outra Cuba não tão distante, não tão difícil e não tão triste.

Nota: Se algum leitor tem a Letra do Ano "não oficial" completa, por favor, agradeceria que a enviasse à minha caixa de correio. Têm me falado tanto dela que morro de vontade de lê-la completa.

Um comentário:

lúh disse...

Tomara que o futuro de Cuba seja democrático. Para a felicidade de milhões de cubanos.